quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

visível

Estranho por eu estar ali parada em frente a uma loja de enfeites de natal, na verdade, toda a rua estava enfeitada, a rua inteira com muitas luzes, parecia que toda a rua estava combinando comigo, combinando com o meu estado de espírito. Eu ali parada, sob o céu estrelado, uma noite fria, porém bonita, magnífica. Eu ali realmente feliz, realmente em paz, pensando em todas as coisas boas que acontecem na minha vida. De repente dois meninos passam correndo, e me arrancam dos meus pensamentos. Aqueles dois meninos pequenos, com seus carrinhos, rindo e brincando, me lembraram de como a vida é simples e bonita, como algo pequeno pode fazer bem, e que eu tinha demorado tanto pra perceber isso. Lá de dentro da loja, a mãe deles os chama, e com a mesma animação que eles saíram, eles voltaram para a loja, com aqueles belos sorrisos no rosto. Estava encantada, via nos grandes olhos verdes do mais velho a felicidade de apenas estar ali, com seu carrinho azul, brincando com o seu irmão, que transparecia a mesma coisa. Achei engraçado quando eles reclamaram com a mãe que queriam continuar lá fora, e apenas alguns instantes após a negação da mãe eles já estavam rindo e brincando com outra coisa. Parecia tão simples seguir aquilo, aceitar o não da mãe, era como ter que aceitar algo que você não queira, mas não deixar aquilo te abalar, e continuar com o sorriso no rosto, se adaptando e aceitando.
Comecei a percorrer toda a rua, e mergulhada em meus pensamentos percebi que chuviscava, mas eu continuava andando, continuava querendo aquela sensação de paz, de liberdade, de vida. Notei que meu casaco azul já estava molhado da chuva, mas me impressionei quando notei que algumas lágrimas estavam se misturando com os pingos de chuva, e que naquele momento tudo parecia mágico, minhas lágrimas eram de felicidade, eram de ter aprendido a lição, eram de tirando todo o resto do passado que me deixavam parada... e naquele momento, eu só tinha vontade de andar, seguir em frente, porque eu sabia que seguir em frente era muito mais bonito do que ficar parada, continuar era muito mais bonito do que esperar, e cada vez mais eu ficava mais feliz, cada vez mais eu tinha a sensação que a chuva estava levando todas as coisas ruins. Tudo era lindo, e não era lindo porque luzes de natal e todos aqueles enfeites ficam lindos com a chuva. Era lindo porque eu queria que tudo fosse lindo, eu queria que tudo fosse bom, eu queria não me importar com as coisas ruins, queria não me importar com o mal que me abalava, e ao não me importar, percebi que ele parou de existir. 

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